Silêncio… apenas o toque das gotas de chuva lá fora contra o parapeito, contra o vidro, contra os meus ouvidos…
Mas é só isso. Já não ouço as melodias, já não perspiro as angústias em tons de cinzento que assolavam a minha paz, já não me atormentam aquelas luzes, como olhos demoníacos, que ladeavam o meu caminho…
Agora ouço um silêncio tranquilizante, ocasionalmente interrompido por umas suaves notas musicais que os meus dedos imprimem no tempo…
Há batalha, há confronto? Sim, ainda há. Mas tudo é travado aqui dentro. O coração bate, o sangue flui, ora compassadamente, ora descontroladamente frenético. Mas agora consigo ouvir… e acompanho o ritmo, canto em uníssono, danço o Jónio, o Frígio, o Dório ou o Mixolídio…
E agora estou inebriado pelo cromatismo do sopro da vida.
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