Monday, March 19, 2012

Eu canto…

Sou um junco. Um pequeno junco.

Navego os sete mares em busca do meu oceano e, quem sabe, um bom porto.

E nestes dias cheguei a zonas de águas desconhecidas ou, pelo menos, há muito esquecidas. Após uma viagem cansativa e algo dolorosa, o espelho de água liso que o casco interrompe transmite uma sensação de calma, de paz, de serenidade. Ouve-se um silêncio magnífico, apenas o som da água abraçando-me à medida que a percorro…

Mas, ao aproximar-me de terra, apercebo-me de que existe uma pequena vibração, um ligeiro tumulto, um quase imperceptível burbulhar na água. Como se houvesse algo ali expectante, adormecido e que pode ser despoletado a qualquer momento… E este fervilhar intensifica-se com o encurtar da distância.

Embora me custe dolorosamente, concluo rapidamente o significado de toda esta agitação: devo procurar outras águas, apesar de estas permanecerem calmas, apesar de serem repletas de vida. Não posso desembarcar aqui, meu caminho segue, o meu objectivo mantém-se. Mas poderei voltar sempre que quiser, e apreciar o fino e sedoso lençol de água, no qual se espelha o céu e as estrelas e, através dele, sentir as delicadezas da vida, contemplar as paisagens do sonho e fundir-me com as suas formas.

Mas terei sempre de voltar, ou de novo seguir e buscar, pois apenas fará sentido permanecer naquele que é verdadeiramente o meu Mare…

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