Quase... quase consegui estar um ano sem escrever... mais três meses, e estava lá...
Não sei porque insisto nesta coisa dos blogs, claramente não nasci para isto...
Mas há sempre umas alturas mais conturbadas que outras e quando assim é... eu escrevo.
Julgo que é o melhor escape... aqui estava eu, num sábado do final de Agosto, a pensar na vida e na miríade de coisas que me passam pela cabeça diariamente e dei por mim a digitar aquela combinação de teclas que me traz a este espaço... e agora só me resta escrever...
Faz por estas alturas cerca de um ano desde que vivo sozinho em casa... e para quem a experiência das tarefas domésticas se resumia, anualmente, a duas semanas em que os meus pais iam de férias para o Algarve ou para um qualquer desses destinos por aí fora, não está mal. Devo dizer que não foi fácil... Nas duas semanas que dispunha usualmente era bastante activo e expedito. Mas o que dizer de dois meses? ou um semestre? ou um ano? Posso dizer que demorou até que se estabelecesse um sistema capaz de manter esta casa em condições... e muito contribuiu a vinda da M0:bius em Fevereiro...
Estar a viver sem os progenitores, numa situação corrente (não posso evitar generalizar), é uma experiência estranha... o primeiro impacto é a súbita liberdade, o relaxar de todas as nossas obrigações em casa. Diria que se trata de um misto de ficar a ver televisão, ou a jogar computador ou coisa que o valha - até às 9 da manhã com desatar aos saltos em cima da cama e do sofá... é andar nú pela casa, é comer fora de horas...
Mas a festa acaba aí... quando começamos a perceber que é preciso arrumar isto, lavar aquilo e que somos nós quem decide a cadência com que se processam estes eventos, entra-se numa batalha contra a nossa eventual falta de diligência... (estarei a falar apenas do meu caso?)
Vale a pena. É a nossa liberdade, a nossa decisão, a nossa vontade, a nossa preguiça, o nosso gosto pessoal, o nosso horário. Nada voltará a ser o mesmo. Não conseguia voltar atrás... não saberia como... não encontraria o meu lugar...
A todos aqueles que ainda não sabem o que é, experimentem...
O caso muda totalmente de figura a partir do momento em que vem morar connosco outra pessoa. Aí uma pessoa aprende verdadeiramente o significado de convivência, tolerância, cedência e gestão de espaço. Elevado ao quadrado se se tratar da nossa cara-metade. Ao cubo.
O sono desbota-me o intelecto. We have lost cabin pressure...