Há dias em que uma pessoa não devia sair de casa. Há dias em que uma pessoa não devia sequer sair da cama.
Às vezes, parece que tudo corre mal. Parece que os quatro ventos se conjugam e empurram tudo que pode correr mal para cima de nós. E nós a amochar com aquela trampa toda…
“Está tudo bem?” perguntam-nos. E claro, respondemos sem convicção: “…sim, sim… está tudo bem…”. Para alguns, é claro que talvez não esteja, mas perguntar ou comentar para além disso pode já ser querer saber demais. Para outros, escapa-lhes a hesitação, a inevitável pequena ironia entre as linhas e tudo está, então, “bem”… É claro que está tudo bem! Cabe a poucos saber se de facto está tudo bem ou não. E aqueles que encarreiram por aí, acabam pacientemente a ouvir-nos a divagar, lamuriar ou, simplesmente, desabafar…
A cama é algo do género de um escudo. Lá dentro estamos protegidos do mundo exterior, parece que os problemas só começam quando colocamos os pézinhos no chão… e, além disso, também é uma caixa de surpresas… Quantas vezes lá entramos quase com uma depressão e dela saímos com um folgor novo.
Mas quando as coisas estão mal e parece que só vão piorar quando pousarmos os pés naquele chão frio, o melhor é mesmo não sair.
É.