Sunday, December 21, 2014

Sol Invictus

Hoje, parece-me, foi o dia mais curto do ano.
Há algo neste conceito que me fascina. Há muito tempo que é assim… os solstícios, longe de me fazerem festejar a vitória da luz face à escuridão, ou vice-versa, deixam em mim um sentimento ligeiramente nostálgico, talvez até levemente tristonho.
Mas não é esse o sentimento que me inunda, não é essa a sensação que me preenche, não… em particular, o dia de hoje, o solstício de Inverno, não obstante, acaba sempre por me fazer encontrar uma razão para que se instale um pequeno sorriso na cara. Não sei se será porque, inconscientemente, assumo o lado positivo de nos esperar uma escalada, um voo crescente em direcção aos dias “intermináveis” de Sol, esse maravilhoso Sol…
Mas enquanto me rigozijava com esse pensamento, com a ideia de ver crescer os dias, ganhar luz e energia nas nossas vidas, não se pense que me via perdido perante essa imaterialização, face a essa perspectiva futura. Não, esse não foi o momento…
 
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Apercebi-me de tudo isto, enquanto contemplava o ténue, tímido mas eternamente doce Sol de inverno. Fui para o parque, por entre a azáfama de algumas centenas ou milhares de pessoas que se dirigiam para o estádio para assistir a um jogo de futebol. Sentei-me e limitei-me a apreciar, a respirar o ar de fim de tarde, a clamar como meus aqueles raios de Sol preciosos.
Pensar nos dias que vêm, nas sensações que eles guardam fez-me sorrir, mas foram, na realidade, aqueles raios distantes e amplos, cujo calor contrariava o ar frio de Dezembro, que me fizeram sentir.
E fechar os olhos. Estar vivo… e sorrir…
:)

Tuesday, July 22, 2014

Descobre a criogenia da coisa…

No outro dia estava a fazer umas arrumações em casa e encontrei uma folha de papel com uns rabiscos a lápis. Primeiramente, achei que deveria ser apenas um devaneio experimental qualquer que eu tivesse feito outrora e, por pouco, não o reciclava sem sequer olhar devidamente.

Felizmente, nesse dia estava com paciência e resolvi olhar com mais atenção. Reconheci imediatamente a lista que havia trazido de casa do meu tio, há cerca de 17 anos, quando lá fui passar 15 dias nas férias.

E o que é incrível é que esta lista esteve no meu quarto enquanto vivia com os meus pais e transitou para o escritório quando comecei a viver sozinho. Mas interessante ainda, esta tímida folha de papel sobreviveu ao escritório e ainda foi capaz de viajar para o novo escritório quando mudei de casa. Não me perguntem como é que isso acontece, porque eu não sei explicar…

Olhei para o que tinha rabiscado há quase duas décadas atrás:

“Rainbow Six” – Tom Clancy

“A perfect spy” – John Le Carré

“Wild swans” – Jung Chang

“Le nom de la Rose” – Umberto Eco

“A small town in Germany”, “Call for the dead”, “The honorable schoolboy”, “Tinker Tailor Soldier spy” – John Le Carré

“Delta de Vénus” – Anais Nin

“O pêndulo de Foucault” – Umberto Eco

“Eva Luna” – Isabel Allende

“Por quem os sinos dobram” – Ernest Hemmingway

“As vinhas da Ira” – John Steinbeck

“China seas” – John Harris

“The night manager” – John Le Carré

“Stamboul Train” – Graham Greene

“Plenilunio” – Antonio Muñoz Molina

Alguns destes livros, ao longo destes anos todos, vim a ler. Infelizmente foram mais os que ficaram por ler, pior, ficaram esquecidos…

Mas das mais variadas origens, aqui e ali, pessoas de quem me aproximei, amigos que conheci, ilustres que entraram na minha vida, muitos me recomendaram muitos livros. Livros que eu deveria ler, nem que fosse num futuro incerto, livros que me acrescentariam algo.

Deixou-me espantado ter aquela lista há tantos anos, onde figuram tantos títulos que são leitura quase obrigatória e relembrar todas as pessoas e todos os momentos em que elas me disseram algo do género: “tens de ler este livro… é muito bom.”

É como se estivesse a dormir durante todo este tempo. Através das pessoas descobri algo que, noutra etapa da minha vida, já me tinha decidido a descobrir. E pelos vistos não o fiz.

Duas décadas… literalmente, a dormir…

 

Saturday, June 21, 2014

The longest day… again

Hoje é o solstício de Verão… :)

Mas é um péssimo dia para estar entalado de trabalho sem perceber como.

É um péssimo dia para ir fazer uma prova para a qual não estamos preparados, sem saber bem o que nos espera, sem sabermos se o que preparámos nos vai falhar quando for mais preciso…

É um péssimo dia para querermos exprimir-nos no teclado, seja do computador, seja do piano.

É um péssimo dia para recordarmos e sentirmos algo que nos deixou uma marca no coração e que ainda nos faz falta…

Mas vou acabar o trabalho que tenho pela frente. E a aventura que me espera vai destruir o meu corpo mas elevar o meu espírito. E este texto vai marcar este dia. E o que me fere a alma e o coração vai ficar embebido e absorvido no meu ser e serei capaz de sorrir porque abraço esse sentimento, porque o guardo para todos nós.

E serei capaz de chegar ao fim do dia, sorrir, respirar fundo e deixar cair uma simples lágrima, pequena e singela, por ti, só por ti… e para ti…

Tuesday, May 13, 2014

Wednesday, January 1, 2014

O ano do cavalo

Se há coisas boas na vida, talvez uma delas seja aquela sensação que se tem quando se faz um startover, quando se recomeça, quando se volta ao início de algo. É como se não houvesse juízos nem pressupostos. Tudo é inocente e puro. E novo.

E em certa medida, tudo parece saber a improviso. E isso é bom, muito bom.

Começo o ano novo com uma sensação de leveza, de perspetivas positivas e com optimismo. Recebo o novo ano de cara lavada, com um sorriso e de braços abertos.

Acredito na energia anímica e contagiante que impele o nosso mundo quando algo se inicia. A força, o ímpeto.

O ano que passou foi, mais ainda do que anterior, um ano de grandes mudanças. Em mim. Por dentro.

Paz, guerra, tormento, solidão, esperança, amor, angústia, lágrimas e sorrisos. Exteriores e interiores. Descobri os sorrisos interiores. Quando aprendemos a sorrir por dentro, para nós próprios mas, principalmente, quando sentimos que esse sorriso vem de dentro, o fazemos por nós e não apenas para nós…

Começo o novo ano com um sorriso e com um abraço.

Mas… começo o novo ano com uma dor, com algo que me quer fazer triste, algo exterior a mim, algo que não me pertence, mas que causa desgosto e que, lentamente, procura espalhar em mim, um veneno inquietante.

Sorrio por cima disso, procuro marginalizar essa noção dolorosa, tento converter e talvez até subverter o aspecto negativo a meu favor…

E no meio desta minha digestão, procuro entender verdadeiramente se aquilo que me rasga a serenidade é algo que possa efectivamente lesar-me.

Cautelosamente, apercebo-me que a resposta talvez seja negativa…

E vejo nesse movimento um foco, um objectivo, um facto, uma realidade, uma abstracção que me aquece, que me alumia.

Três desejos, um sorriso… e um abraço…