Thursday, August 30, 2012

Desvendada…?

Há momentos na vida em que o percurso é simples, praticamente a direito. Mas mesmo assim, insiste-se para que se coloquem umas candeias a delinear o caminho. Parece que há receio em dar esses passos necessários sem uma luz que guie… parece que há angústia se por acaso houver um desvio na rota.

Não chega definir um destino, fixar os olhos nesse ponto adiante no tempo, e desvendar a natureza escondida do percurso que medeia…? Porquê?

Às vezes, o que o coração sente e respira de forma simples, a mente complica… o que um pretende, doce e descomplicado, é rasgado, desvirtuado e entrelaçado pela outra, quase alheia, escrava da sua própria teia.

Liberta-te, mente complexa, e sê livre!!!! Expande-te, absorve o tempo e espaço como teus, vai de encontro ao coração e respira o ar que o envolve, metamorfoseia-te nessa profusão de formas que aí vivem…

Vai…

Tuesday, August 28, 2012

Sternen-Freundschaft

No outro dia fui à minha antiga casa, aquela casa que me viu crescer, a casa que pertence aos meus pais, a casa que ainda guarda o meu cheiro, a casa por onde, pelas suas paredes desnudadas, ainda ecoam os reflexos de anos e anos de experiências…

No antigo escritório, colados por dentro das portas das estantes, encontrei afixados os poemas que remontam aos tempos de estudante da minha mãe e que, desde tenra idade, me serviam de escape para aqueles momentos em que a repreensão dos meus pais era tal que me fazia chegar as lágrimas aos olhos, ou, por tristeza adolescente ou dor legítima, encontrava naquelas palavras a minha jangada de salvação…

 

Éramos amigos e tornámo-nos estranhos um ao outro.

Está bem assim, não nos esconderemos nem dissimularemos nada um ao outro.

Não temos de corar por coisa nenhuma.

Somos dois navios, cada um tem o seu caminho e o seu destino.

Cruzámo-nos por acaso, celebrámos juntos uma grande festa

e então os nossos dois corajosos navios repousaram

tão tranquilamente no mesmo porto e sob o mesmo sol,

que parecia terem os dois atingido um objectivo que lhes era comum.

Mas a força poderosa do nosso dever expulsou-nos novamente para mares e sóis diversos.

Talvez não nos vejamos mais ou então voltar-nos-emos a ver sem nos reconhecermos.

Os mares e os sóis diferentes ter-nos-ão transformado.

Estava escrito no nosso destino, que nos devíamos tornar estranhos.

Mais uma razão para nos respeitarmos mutuamente.

Mais uma razão para santificar nossa amizade interrompida.

Existe certamente um astro longínquo, invisível e prodigioso que dá uma lei comum

às nossas pequenas evoluções…

Elevemo-nos até esse pensamento!

A nossa vida é demasiado curta,

A nossa vida é demasiado fraca,

E se temos de ser estranhos na terra, acreditemos apesar de tudo,

na nossa amizade estelar.

                                                                    Friedrich Nietzsche

 

Trata-se de um poema que sempre me atraiu e que, ainda hoje, me diz muito, embora o sentido que tiro dele e o significado que supostamente possui, sejam algo díspares.

Não posso deixar de referir,  com uma ponta de mágoa, que existe uma pessoa a quem posso dedicar este poema. Para a qual estas palavras talvez se mostrem demasiado apropriadas. E é com alguma tristeza que, passados tantos anos, ainda as sinto como adequadas e justas…

Não obstante, quando penso nas pessoas que são importantes na minha vida, esta poesia dá-me força, dá-me convicção, faz-me querer agarrá-las e mantê-las perto de mim…

Porque se é verdade que é inevitável sentir que muitas pessoas entram na nossa vida e dela saem como folhas caducas na Primavera e no Outono, a verdade é que outras há que, seja sob o Sol escaldante do Verão ou fustigadas pela bátega e pelo frio extremo do Inverno, são perenes… estão lá para nós.

E devemos agarrá-las firmemente, porque aí reside o sopro da vida…

…talvez não possamos extrair delas o propósito da nossa existência mas, sem dúvida,

é delas que devemos beber o fôlego que nos dá força para o concretizar!!…

Thursday, August 9, 2012

Knights of Cydonia

Vicissitudes…

A primeira vicissitude do dia resume-se ao facto de eu ter postado determinados vídeos neste espaço, com um determinado objectivo, e ter constatado, curiosamente, que uma amiga tinha postado exactamente o mesmo vídeo no facebook. Coincidência? Talvez. Com uma diferença de 20 minutos. Desfavorável para mim. Claro que isso interessa nihil. Primeiramente achei que devia retirar os vídeos deste espaço… já alguém se lembrara de fazer o mesmo que eu… ou vice-versa… subitamente, deixou de fazer sentido. Mas resolvi ignorar essas e outras ideias secundárias, pensar na música pelo seu valor, e deixá-la estar…

A segunda vicissitude consistiu no facto de ter chegado a um certo ponto na noite, felizmente após umas horas de trabalho (senão sentir-me-ia miseravelmente), em que resolvi ficar a ver/ouvir o concerto dos Muse em Glastonbury (2010)… mas isso é só metade… não contente com isso, peguei no meu “walkman”, Muse em altos berros, uma média em punho e fui deitar-me para a varanda onde permaneci a olhar para o céu como se não houvesse amanhã… 

Se precisarem de mim, estou na varanda, deitado no chão… 

Wednesday, August 8, 2012

Anti Gravity

… e porque nem sempre as versões ao vivo fazem justiça… aqui fica também a versão de estúdio…

Thursday, August 2, 2012

As que não foram escritas para serem lidas…

As palavras que aqui deixo são geralmente palavras banais. A sua sequência traduz, na maior parte das vezes, um certo cuidado em revesti-las de uma certa opacidade, em tornar os seus contornos difusos. Porque muitas vezes, não sendo as palavras em si, reveladoras, são-no os pensamentos que estão na sua génese, isto é, para quem, no espaço entre as palavras perdidas, os consiga destrinçar.

Faço-o porque é esse o propósito deste espaço. Porque outrora senti a necessidade de ter um meio de exteriorizar e eliminar do sistema certos pensamentos, certas ideias. E porquanto exista essa necessidade de deslocalizar esse objectos cognitivos, cresce em paralelo uma sede de ser ouvido, de ser lido, de sentir que a parede, aparentemente inerte, afinal tem ouvidos. E nessa busca de algo que completa o propósito, reside simultaneamente o motivo da sua aniquilação.

Eu passo a explicar. Somos performers em palco. Este é o nosso palco. Este é o nosso espectáculo. Eloquentemente, de forma solta e despreocupada, palramos e então estabelecemos o nosso monólogo. Não vemos o público, não o sentimos mas achamos que ele está lá. E isso chega-nos. Dá-nos o propósito. E por um tempo, tudo está como devia estar.

Mas chega o dia em que, ao terminarmos a nossa actuação, olhamos para a audiência e vemos os seus olhos, reconhecemos os seus rostos. E sem que nos apercebamos, já estamos condicionados, já sabemos que estamos na mira. E no próximo espectáculo há qualquer coisa que nos detém…

Nessa fase sentimos que se perde o efeito libertador. Por vezes queremos ir mais longe, descobrir um pouco mais o manto… mas esses olhos seguem-nos e a contenção é inevitável.

Por diversas vezes, quis derrubar essa barreira, libertar-me dessa pseudo-mordaça que me castra as letras. Ainda não tive coragem. Mas sinto em mim essa vontade a crescer, como se de uma bolha se tratasse…

Talvez amanhã acorde e, ofuscado pelas luzes, inebriado pela respiração daqueles que comigo partilham o anfiteatro, resolva fechar os meus olhos… respirar fundo… e fazê-los desaparecer…

e aí… sorrir e…

…quem sabe?

Falar, cantar, saltar, dançar como outrora, declamar todos os poemas, libertar-me na magia dessas palavras perdidas…

Wednesday, August 1, 2012

Fu

Há dias em que parece que tudo nos corre mal.

Há dias em que quando finalmente chego a casa, me pergunto porque raio é que saí de manhã, se a única coisa que consegui fazer, foi piorar as coisas? Nesses dias, o que quero é que tudo acabe depressa e entregar-me à cama, tentando afastar tudo isso, procurando mudar a ficha.

No dia a seguir a esses dias, acordo e penso que não quero ir, deixem-me estar aqui sossegado, parece que o melhor que se pode fazer, é nem sequer sair da cama.

Só apetece balbuciar: “…que se foda”, virar-me para o outro lado e deixar o mundo em paz…

Há dias em que tudo nos corre mal.