Sunday, November 9, 2008

Rescaldo

Cá estou eu de novo, voltando a depositar um pequeno fio de palavras e letras neste espaço que, durante 5 dias, por aqui ficou a apanhar pó...


A razão de tão prolongada ausência, de vil e atroz abandono, deve-se à minha deslocação ao Nuorte, pá! É verdade. E tão nobre destino justifica e torna passível de perdão este desesperante silêncio. Ou não fosse o alvo da minha jornada a incubadora dos portuguesinhos, a génese de Portucale. Nada mais, nada menos que Guimarães, essa cidade perdida no verde Minho e que me deixa sempre satisfeito de todas as vezes que de lá saio. Não por me despedir do D. Afonso Henriques, mas por se tratar de uma cidade com o seu espírito próprio. Ali respira-se Portugal!!!


Adiante.


Durante 3 dias, fui lá para cima "brincar aos engenheiros". Uma boa desculpa para não fazer nenhum... Passar o dia dentro de um anfiteatro e sair de 2 em 2 horas para tomar café e empanturrar-me com bolos e outros petiscos jeitosos... cumprimentar toda a gente e discutir variadíssimos assuntos com pessoas conhecidas e desconhecidas. Eu sei que é óbvio mas acho incrível como se consegue reunir num encontro a maior parte do pessoal das universidades e principais gabinetes de projecto do país...
Nisto, o que me deixa um pouco confortável são aquelas pessoas que sabem quem eu sou ao olhar para mim (por associação imediata à pessoa, meu pai) e vêm falar. Para não referir aqueles que eu nem sei quem são... fico com aquele sorriso meio-amarelo e depois pergunto a alguém, à primeira oportunidade: "...quem era aquele(a) senhor(a)?". Ridículo.
Nem tudo é férias. Eu, por exemplo, embora não tenha apresentado uma comunicação (assim nos referimos às apresentações nestes meios), elaborei um poster e tive a hipótese de trocar ideias com outros protagonistas de projectos semelhantes ao que apresentei. Porque de resto, o poster chamou a atenção de pouca gente.
Trata-se sem dúvida de um evento mais importante para projectistas do que empreiteiros mas, ainda assim, estava lá praticamente toda a gente.
Nada como uns dias fora do escritório num sítio fresquinho para andar de camisa e blazer...

Tuesday, November 4, 2008

Filhos…

É todos os dias… às 9:00, cerca das 10:00 e às vezes ao meio-dia e à uma da tarde. Telefonam do número 21 797 50 17. Se atendo, apenas um silêncio do outro lado. Nem um beeeeppp! Não parece ser um fax. Mas também não é alguém a ligar. Já pensei se não será um sistema de reencaminhamento qualquer ou um vírus que esteja a utilizar a linha telefónica de quem quer que seja que é dono deste número. Digo que não será alguém a ligar porque assumo que ninguém na superfície deste planeta conseguiria tamanha proeza… afinal trata-se de uma regularidade exemplar e persistente. Não há dia que falhe. E vamos nisto, há mais de um mês. Pelo menos, que eu tenha dado por isso. E também porque se fôr uma pessoa por detrás disto, será uma pessoa muito istúpida porque já era tempo de perceberem que aqui não há nada… O vírus é uma hipótese plausível mas… porquê o meu número? Só se ele gera um número aleatório e – surpresa das surpresas – calhou-me na rifa!!!… Isto já começa a tornar-se aborrecido… Gostava de saber o que se deve fazer nestas circunstâncias… será que consigo descobrir que está por trás daquele número? Casa de alguém, um escritório, um organismo público… Talvez possa enviar um mail ou telefonar ao meu fornecedor de serviço (cujo nome, por motivos óbvios, não vou revelar). Existe uma outra possibilidade: ser o próprio fornecedor que tem o seu sistema embriagado e acontecem estas coisas.

Se a culpa for do meu fornecedor, vão ter de me ouvir… se não, aqui fica uma mensagem para quem quer que seja o dono desse número malvado:

PAREM COM ESSA MERDA.

Pronto. No fundo, era isto que eu queria dizer. Agora já desabafei. Estes gajos bem podiam ser uma Lua Nova na minha vida. Desapareçam!!!!

Outra:

Pela quarta vez recebi uma carta da Caixa de Providência dos Engenheiros. Eu questiono-me se o resto da malta também recebe estas faltas de vergonha… é algo que tenho que averiguar. Sei, pelo menos de um caso semelhante ao meu… Há um ano atrás, recebi, após ter completado o meu estágio, uma carta relativamente simpática a felicitar-me pela minha entrada na classe, blá, blá, blá! e informar-me que “caso assim desejar” poderia efectuar a minha inscrição na Caixa e começar a pagar cotas. Até tinha um subscrito daqueles RSF, que não precisam de selo. Como não estava interessado, não respondi, nem preenchi a ficha com os meus dados.

Não é que passado um mês me chega a casa uma carta escrita num tom totalmente diferente a insinuar que eu tinha a pagamento um certo e determinado número de euros a favor deles? Que parte de “se eu desejar” é que eles não percebem? Isto é estar a brincar com as pessoas, é ser enganador e é querer aproveitar-se de quem anda distraído. Vêm com uma conversa agressiva que nós estamos a falhar, quando na realidade não é assim, e depois, caso “o borrachinho” caia na esparrela, pumba! Está a desbobinar para o bolso deles. A Caixa deve andar muito mal, não é? Não conseguem arranjar quem se interesse, certo? Pois, com essas políticas fdp, não admira!

Eu fui paciente, mantive a calma, deixei as coisas andar. Pensei: “deixa lá, à terceira sem resposta eles cansam-se e viram-se para o outro lado”. Qual quê!!! Fim de Outubro, Pumba!!! Cai mais uma carta aqui em casa. Desta vez a dizer que eu devia mais de cem euros… Dá para acreditar? Lançar o barro à parede a ver se cola… não há caso mais óbvio do que este. E a verdade é que deve colar mesmo, senão não insistiam tanto.

Pois bem, acho que vou pegar num dos seus RSF e mando-lhes umas sementes de eucalipto (ou outra árvore qualquer) e uma pequena nota a pedir-lhes encarecidamente para desistir da Caixa, instituição com a qual não possuo qualquer vínculo, e com a qual não quis nada. E que peguem no dinheiro que se gastou para me mandar aquelas cartas e tantas outras e nas sementes e as vão plantar, que fazem melhor. E que não percebo como podem convidar-me a inscrever-me numa carta e nas restantes chamar-me caloteiro como se não estivesse explícito que o acto de inscrição era decisão minha.

Que cambada de chulos! Estes são outros que levam com uma Lua Nova.

Por agora, despeço-me, por tempo indeterminado!

Reedição?

Deixem-me adivinhar... este será... o terceiro? Não sei porquê, mas parece que adquiri um jeito particular para abrir e fechar blogs... abro um... abro outro... fecho o primeiro... fecho o segundo... abro um terceiro... estou até a pensar em fazer negócio disto, já que não me parece que vá a algum lado a escrever... este pode ser apenas o terceiro mas atenção que eu estive parado quase um ano! Eu tenho atenuantes!!!
Esta terceira reedição do que poderá ser eventual e finalmente "o meu blog" (notar que eu não disse nada disso nas versões anteriores), faz-me crer que tenho realmente olho para isto. E eu sei, tenho a certeza, que dentro de mim, reune-se a capacidade para abrir e fechar ainda mais. Com a devida concentração, dava vazão a para aí uns dez por mês. Cinco, vá... dois ou três, na pior das hipóteses.
Mas divagando num tom um pouco mais sério, esta terceira iteração "é que vai ser" - não! estou a brincar...
Estrangula-me esta dificuldade que tenho em perceber a razão porque, sem sequer me ter apercebido disso, me tornei num ser que abre e fecha blogs, em vez de gastar o meu tempo de forma inútil, como por exemplo, a escrevê-los, ora!
Mas a verdade é que o meu perfil de bloguista talvez se encaixe melhor naquele género de pessoas que a ele recorre com uma forma de escape. Escape para aquele lado da sua vida cujas vicissitudes o obrigam a exteriorizar de modo a poder organizar todos os outros aspectos. E nem sempre há oportunidade de o fazer directamente com alguém que nos ouça. Ou, por vezes, há tanta coisa para purgar que é preciso continuar... porque de facto gosto de escrever e acredito que, se tive que de rasgar tudo e começar de novo, foi porque não me encontrei nas outras tentativas. Porque se nós deixamos tanto de nós nesta sopa de letras, neste fluxo de ideias, neste repuxo de palavras, é nele também que temos de nos rever. Ao ponto de, a dada altura, perante a azáfama e o transe de libertarmos a corrente que nos inebria a mente e ofusca a visão, haver uma ligação quase que supra-física. Um torrente de energia, libertada da nossa mente. Por outras palavras - e voltando aqui ao planeta terra - atingirmos um estado em que conseguimos escrever sem a necessidade de consciencializarmos o facto de estarmos a teclar ou a escrevinhar num papel. Dir-se-ia como que uma ligação directa...
Desta vez, o mote - ou como se diria aqui em casa - a desculpa, é a Lua. Assim são as pessoas... lunáticas. Daí o nome. Minguam, crescem, estão cheias e começam de novo. Mas claro, nada é tão simples. As pessoas, ao longo da sua vida, e em determinado momento desse percurso, encontram-se sempre numa fase que acaba por ter correspondência com as nossas conhecidas fases da Lua. Naturalmente que, como seres humanos que somos, representamos, em certa medida, o apogeu da complexidade no que à Mãe Natureza diz respeito. E aí, eu diria que há pessoas em todas as fases e que a ordem com que saltitam de uma fase para outra nunca é tão certinha como a do nosso planetóide... por exemplo, algumas pessoas nunca chegam a estar em fase crescente... outras há que estão sempre cheias... enfim, percebe-se onde quero chegar e até onde posso ir, certo?
Por isso, aqui fica, um espaço para a Lua, lunático, aluado mas solto, directo e sem censuras...
Não vou fazer promessas, não prometo escrever, não prometo ler, nem sequer procurarei dar o mínimo de atenção a este blog... Vou apenas ser e, através dele, fluir no derradeiro Mar da Tranquilidade lunar...