Tuesday, May 29, 2012

Aurora

Não consigo. Por inúmeras vezes procurei alterar a forma como tento abordar o tema, mas simplesmente nada parece adequado. E cada vez mais me convenço de que não se trata da abordagem, mas sim do próprio tema. Ou a falta dele.

Se bem que tornei claro noutras ocasiões o quanto este espaço serve de repositório de ideias e pensamentos, apercebo-me de que já não quero exteriorizar esta ou aquela ideia. Quero guardá-las só para mim. E beber o seu fluxo de energia. E sorrir, enquanto sinto o seu calor a acariciar-me por dentro, enquanto respiro o seu fulgor…

Já não quero expulsar aqueles pensamentos, agora quero que eles façam parte de mim. Que sorriam comigo, que chorem comigo. O meu sangue transporta essa luz e canaliza essa dor… mas nesse palco de emoções, quero encontrar a minha paz…

Já não falam, já não escrevem, já não fixam uma imagem… absorvem-na… e através dela experimentam o mundo…

Quero que se enebriem com o perfume, que se confundam com o toque, que imortalizem esse olhar… que transpirem esse aroma de que é estar vivo!!!!!!

E que nesse oceano de paixão encontrem a sua razão de ser…

Monday, May 14, 2012

Mumadji

… as palavras tão pouco te dizem… a sua essência é confusa, difusa, esquiva.

Nas suas formas não encontras uma forma, antes um sentimento. E esse sentido preenche-te, faz-te sentir uma energia que percorre cada centímetro do teu corpo. Respira-la, dás-lhe vida. E num rasgo de movimento, tudo é belo e apaixonante…

E assim nasce um sorriso… 

Thursday, May 3, 2012

In vinum veritas…

Hoje cheguei a casa e apeteceu-me saborear um pouco de vinho…

Pensar naquele travo ligeiramente acre, e simultaneamente doce, suave e apaziguador, despertou em mim uma sede sensorial. Nada comemoro ou celebro, simplesmente achei que aquela tertúlia alcoólica e perfumada, liderada por todos aqueles taninos, iria complementar na perfeição o meu estado de espírito. E elevar-me os sentidos. E amplificar as emoções. E expandir, em cada toque da minha língua no seio daquele líquido repleto de adagas cortantes, a sensação inspiradora de estar vivo…

… mergulhar no coração e encontrar sensações perdidas mas nunca ausentes… e, recordar-me  e recitar com fulgorosa paixão, os versos do Poeta:

 

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esp’rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte

Os beijos merecidos da Verdade.

 

E sentir, em cada letra, em cada verso, em cada poema, em cada canção, o calor, o fervor, o fervilhar desse sangue que quer amar mas que não sonha atingir, que abraça o mundo mas depois foge e esconde-se dele, com medo, com receio…

…de amar, de ser amado.

   

Wednesday, May 2, 2012

A única forma…

Há dias em que o que habita a minha mente e o meu corpo excede a minha capacidade de transferir para palavras… Por um lado, por vezes a informação é tanta que não encontro forma de conseguir canalizar tudo isso. Por outro, acontece ocasionalmente não arranjar coragem para o fazer. Mas ainda assim, a vontade e a desejo são tais que é imperativo arranjar uma alternativa.

Muitas vezes, de tanto insistirmos, de tanto procurarmos algo, acabamos por encontrar. Ou então as coisas que nós procuramos encontram-nos…

Hoje resolvi recorrer a uma música para satisfazer a minha ânsia de partilha, de “purga” mental.

Esta música faz-me voar… faz-me sentir a flutuar, faz-me querer sair do meu corpo e todo eu ser apenas uma essência. Leva-me para outros mundos… puxa pelos meus sentidos…