À medida que o novo dia avançava, dei por mim a pensar: “vai dormir, vai dormir…”
Mas senti a vontade de escrever… sem saber exactamente sobre que tema, sem sequer ter um fio condutor… mas senti a necessidade de escrever algo, algo que me deixasse a mente mais serena, o coração mais prudente. Mas não. Continuo tão agitado e irresponsável como sempre… tão incontrolavelmente eléctrico e demoníaco como dou por mim a ser, de tempos a tempos.
Mas não. Por vezes debato-me contra a minha raivosa solitude e, no entanto, aí encontro a minha verdadeira paz… delicio-me na imensidão do meu espaço, do espaço que me permito ter, da bolha pela qual procuro respirar o mundo…
Quero ter todo esse ar que inspiro, quero ver as pessoas que me importam abraçadas ao meu coração, mas tudo o que consigo ver é a outra face da Lua… onde esses pontos fulcrais da minha vida se encontram… na escuridão…
Mil vezes me pergunto porquê, mas as respostas, essas, tardo em tê-las…
Não as encontro em mim, no mundo, nem nas coisas… e se a solução reside nas pessoas, então não consigo avistá-la pois ela está muito bem escamoteada na sequência incontornável da vida…
Quero vê-la aqui, quero sentir o seu toque, o seu calor, enquanto paira sobre mim, bem perto, emanando a sua aura misteriosa… e entretanto vou absorvendo essa essência mágica que me faz sonhar, que me faz olhar para o horizonte e ver mais do que o pôr-do-Sol…
Faz-me ver o sonho, crava-me desespero na pele… mas ainda assim explode em mim a vontade de ser… e ser… e ser…
Ser…
Sou mais que a soma das partes e, no entanto, mais não sou do que parte da soma… completo-me e simultaneamente, aguardo exasperadamente pela peça que me tornará uno, que me fará único, que me deixará completo…
Que me trará a imensidão de um sorriso, a simplicidade de uma lágrima…
… e uma alegria infinita…