Tuesday, July 31, 2012

Pausa…

Quero escrever mas não consigo…. as palavras alinham-se na minha mente e… antes de saírem, antes de se materializarem, atropelam-se e ficam perdidas algures…

Vou… em busca de algo… e espero voltar… cheio de palavras, de cheiros, de paladares, de sentimentos, de sorrisos…

Sinto-me a enfraquecer, a adormecer… tudo o que me apetece agora é parar… e flutuar…

Thursday, July 26, 2012

Tuesday, July 24, 2012

Luna

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Schhhhhhhhh… não digas nada… será o nosso segredo… ninguém precisa de saber… o que guardamos só para nós… eu e tu… entre nós fica… tu és metade do que és… eu serei a outra metade… e juntos… seremos as partes duais de um todo… mantém-te assim, misteriosa como és… inspiras a incerteza, a dúvida, sem que se perceba do que se trata, se um sorriso iluminado e um olhar triste e taciturno… ou o contrário…

Saturday, July 21, 2012

O beijo do tempo

Plant_Frenzy03Hoje é dia de casamento. 21 de Julho, um dia fantástico para uma pessoa se casar… Faz cerca de dois anos desde que estive num casamento pela última vez.

Hoje em dia, para o meu círculo de pessoas conhecidas, esse tipo de eventos é cada vez mais raro… Sem dúvida, houve ali um pico, de cerca de 3-4 anos, em que parecia que toda a gente se estava a casar… agora, e com toda a lógica, a conversa do dia são os filhos, e, já nada estranho, segundos filhos…

Não posso deixar de olhar para tudo isto e sentir uma leve asfixia, uma pequeno par de mãos a apertar-me o pescoço, e querer, subitamente, aliviar o nó da gravata (que diga-se, dada a falta de prática, dá uma carga de trabalhos a fazer… mas que é daquelas coisas que tem que ficar perfeita…)…

O que move esta minha quasi-repulsa não são ideais meramente filosóficos, políticos, religiosos ou de qualquer outra sofia… O que está na génese dessa minha retracção, dessa minha reacção, é algo bem mais prosaico, mas simultaneamente, de dimensão humana. Tem apenas a ver com a minha experiência e a forma como ela me afecta, enquanto indivíduo deste mundo, desta sociedade, deste universo, desta realidade…

Mas que não fique equivocado o sentido que se poderá, eventualmente, tirar das palavras que deixei no parágrafo anterior… a união de duas pessoas e os frutos que possam decorrer daí não é algo que eu não contemple com admiração e da qual seja incapaz de extrair um sentido altamente galvanizante para a vida de alguém… não… faço-o quando vejo tantos amigos juntos com as suas novas folhas, sinto como minha a sua alegria em poder trazer ao mundo algo de seu e que, na sua individualidade, perpetuará a essência e as raízes que lhe deram origem…

Este conceito não me assusta, este assunto não me repele, esta ideia não me afasta… não! Na realidade, é algo que eu sinto que faz parte da minha vida. Contudo, o ritmo e a ocasião ditam a forma como as coisas se procedem e sem dúvida que neste momento o que governa a minha vida são conceitos distintos de todos estes que temos vindo a falar.

Há um abismo demasiado grande entre mim e esses amigos… não uma separação física, mas antes uma separação rítmica, o tempo corre de forma diferente para eles… Eu fui a par e passo com eles até uma altura, em que eles prosseguiram e eu voltei atrás… contudo, não perdi as experiências, não perdi os anos de convivência, somos equivalentes do ponto de vista do tempo, contudo a experiência e a altura em que esses momentos foram experienciados é notavelmente diferente. E isso faz com eles e eu sejamos pessoas totalmente diferentes.

A diferença é que antes eu temia esta diferença. Agora ela faz parte de mim e não posso evitar sentir-me vivo cada vez que penso nela.

Há dias em que me faz sorrir, há dias em que me faz chorar… talvez nesses dias me tire o sono e me deixe a fitar o tecto monótono do meu quarto. Mas nos outros, mergulho nos  sonhos multicoloridos e encontro a mesma paixão ao observar a Lua que me adormece, e o Sol que me acorda…

 

 

 

Sunday, July 15, 2012

Lost in time…

Ontem interrompi o meu trabalho por umas horas e dediquei-me à tarefa importante e prazenteira de ir jantar e beber um copo com alguns amigos.

Utilizei o termo “tarefa” e apercebo-me agora que a sua aplicação não podia ser mais desadequada… não se trata de uma tarefa… é simplesmente, o que somos. O que queremos. A forma como encaramos a vida e como nos articulamos, na sua marcha através do tempo, entre os seus tentáculos plenos de vicissitudes que a polvilham…

Não adianta escondê-la, omití-la ou mascará-la. A árdua realidade é que à medida que acumulamos tempo nas nossas vidas, passamos a sentir, cada vez mais, a sua passagem… inicialmente era uma leve brisa, como que um ondulante tecido, acariciando-nos a pele, praticamente sem nos tocar… agora o seu contacto é inevitável, impossível de ignorar, embora possa ser bom e pacífico… ou angustiante e dilacerante.

Posso dizê-lo, todos passamos dos 30, somos ainda jovens – porque o somos, aos olhos da sociedade, porque nos sentimos como tal e, mais importante, porque o escolhemos ser nas nossas mentes, mesmo que tal não derive de um mecanismo cognitivo. É o que somos, não o devemos temer, mas sim abraçar a realidade com força, num enlace apertado, como dois amantes que não se querem separar…

Uma dessas pessoas com quem estive queixou-se de que “já não era tão feliz como há uns anos atrás”. Que a vida como ela é, nos leva a locais onde as preocupações, o stress, a família, o trabalho, as nossas ambições, os nossos sonhos, ocupam um lugar de destaque, mas que às tantas não somos tão felizes, porque estamos preocupados com tudo isso, e nem sempre vivemos aquilo que nos diz respeito com a intensidade que, provavelmente, deveríamos. Eu julgo que à medida que avançamos, cada vez sentimos mais o aperto, o estreitar do caminho, a perda de espaço de manobra, especialmente se nos sentirmos algo presos pela vida que temos.

Face a este desabafo, penso no meu próprio percurso… mas tenho uma certa dificuldade em temporizar… é certo, consigo recuar, por exemplo, 5 anos… 3 anos… 2 anos… e nesse período, talvez pudesse ter um estado de espírito semelhante… mas não agora… os últimos dois anos foram, para mim, como um atropelo de eventos, de decisões, de emoções… tudo se desenrolou de forma muito rápida e loucamente intensa… Percebo que todo esse turbilhão se deve essencialmente à rotura que houve e tudo o resto é consequência do necessário ajuste posterior.

Chegar a esta fase e experienciar essa quebra no continuum fez com que tudo assumisse novas proporções. Não deixo de sentir a presença e existência, na minha vida,  de muitas das angústias espelhadas no desabafo dessa pessoa amiga… Vejo-as à minha frente, sei que terei de conviver com elas. Mas não as receio, não temo que elas tomem conta da minha vida… cada vez mais sinto a capacidade de me libertar delas… sinto que quero e que posso viver, não por causa delas… mas apesar da sua existência...

E tão rápida é a passagem do tempo e da vida pelos nossos sentidos, pelos nossos corpos, pelas nossas mentes, pela nossa pele, que quase parece um luxo esquecido poder desacelerar a textura do tempo… parece um doce proibido poder saborear cada gota desse elixir temporal, e fundir-me em cada instante, com esse momento presente… e vivê-lo sinceramente, como se não fosse necessário pensar no próximo instante.

Perder-me no tempo, deixar a vida espraiar-se diante de nós, escolher cada flor, cada pedaço como um só, e abraçá-la num laço terno, prolongado e intenso.

Faço-o como se nada mais houvesse, num gesto exuberante de querer extravazar esse sentimento.

E quando olho para o horizonte sei, tenho a certeza, que não o trocava por nada neste mundo…    

Wednesday, July 4, 2012

Restless

Parece nostalgia, mas não é…