Tuesday, December 31, 2013

O Ecoponto que falta…

A pouco e pouco e, quase sem se dar por isso, aproxima-se a hora, o fim, o início…

Nada de trágico, assumo. Aproxima-se o final deste dia, para um outro começar e, com ele, todo um novo ano. 365 novas iterações desse novo dia tal como aquelas outras 365 que para trás ficam.

Toda a cultura, aprendizagem e vivência que temperaram o meu percurso até este ponto singular no tempo configuraram em mim algo que posso descrever ou designar como sendo uma lógica inabalável – ou talvez até mesmo apenas uma crença –, de que tudo o que existe, tudo o que é palpável, tudo o que é mensurável, tudo o que é, teve uma génese – um início, se quisermos, vá – e, eventualmente, terá também um fim. E é aqui que fico verdadeiramente confuso. A questão não se prende unicamente com a palavra “eventualmente” (que eu convenientemente escrevi com estilo itálico), não… na verdade, a minha mente fica muito mais descansada se, por um momento, idealizar que esta nossa percepção suporta-se no princípio que certos itens básicos da realidade como o espaço e o tempo sempre existiram e sempre existirão. Que eles são. Simplesmente. Condição sine qua non.

Há conforto? Sim, há. Porque espaço e o tempo simplesmente estão lá e nós é que preenchemos os vazios, existindo. Mas mais importante do que isso, existimos começando por existir nalgum ponto do tempo e do espaço e cessando de o fazer no mesmo ou noutro ponto distinto.

Há angústia? Pode haver angst, mas ela não é compulsória, pois estas são questões que permeam a nossa existência e, como tal, podemos existir sem nunca sequer nos preocuparmos com a tecitura do espaço e do tempo…

Há dúvida? Talvez. Tempo e espaço transcendentais criam as condições perfeitas para uma existência sem preocupações. Sem devaneios, sem improvisos filosóficos. Mas qualquer desvio relativamente a essas premissas iniciais é susceptível de levantar questões…

No meu caso – deixando agora de parte minha idealização inicial – o conceito de existir simplesmente, sem início nem fim, desafia incondicionalmente tudo aquilo que a minha mente está preparada para aceitar e constitui uma plataforma que a minha percepção simplesmente não tem a capacidade de atingir. Nem aceitar. Não compreende, é intangível. Porque não encontra uma lógica que a alimente. E por isso, tempo e espaço existem, sim. Podem existir. Mas trata-se de uma condição adquirida. A pièce de resistance, aquela que instaura em mim A Dúvida, é o facto de não conseguir conceber ausência de início mas, pelo contrário, ser totalmente capaz de aceitar um ad eternum, um prolongamento indefinido e infinito do espaço e do tempo.

Acho que é por estas razões que se acredita que há-de haver um dia em que o “mundo” acaba… porque, às tantas, tudo parece plausível, mas existir, no início, sim. No fim, não. Às tantas, NADA parece plausível. E é o fim do mundo… :)

Tudo isto para dizer que enquanto o tempo flui e o espaço corre, vivemos a nossa vida, deixamos a vida respirar. Por vezes parece que chegamos lá. Vociferamos: “o tempo passa num instante!…” ou “já?!? Parece que foi ontém…”

Mas depois largamos essa ponta do tecido e voltamos a existir, simplesmente.

E é nestas alturas, em que por convenção existe um reset, existe um recomeçar, tudo isso faz-nos esquecer de existir apenas e olharmos para trás. Não no espaço, de soslaio, por cima do ombro. Mas no tempo, e procuramos percepcionar melhor a sua incomensurável dimensão.

E revemos. O que fizémos, o que não fizémos. O que dissémos,  e aquilo que ficou por dizer. Os caminhos que explorámos e aqueles que ficam por explorar. Portas fechadas que não mais voltamos a abrir. E olhamos para o outro lado e novas portas aparecem, à espera de ser abertas… Receamos fazê-lo, mas fazêmo-lo na mesma… Arrependimento? Todo e mais algum mas, e daí, talvez mesmo nenhum…

E prometemos. Não vou fazer isto. Vou fazer aquilo. Vou começar. Vou acabar.

E desejamos. Porque talvez tenhamos parado para perguntar Porquê?. E algures, num intervalo da nossa “simplesmente existência”, parámos para escutar. Parámos para observar. Parámos para ouvir… o quê? A mente… e o coração, claro… principalmente o coração…

E reflectimos. Ontém, talvez. E hoje.

E rodeamo-nos de pessoas que nos são queridas. Sentimos o seu calor, sentimos os seus risos, sentimos o seu abraço.

Fechamos os olhos ou, talvez, focamo-nos algures naquele ponto do céu, naquela estrela distante e sorrimos.

É um sorriso que não desarma, é um sorriso que contagia, é um sorriso pleno de sentimento, é um sorriso que queremos que perdure!

E finalmente, tudo acaba e começa… com um abraço…

14! :)

Wednesday, December 18, 2013

Agarra a minha mão, sai do buraco

 

Esta peça é fenomenal! Talvez não seja a mais famosa, mas é, por ventura, a minha favorita (embora admita que não conheço extensivamente a obra do Sr. Rach… ;)

Talvez não seja a melhor interpretação de sempre nem a melhor gravação… mas eu gosto da dinâmica e da expressivade que a V. lhe dedica.

 

Úm pouco mais lento, e com uma postura (e atitude) muito diferente… gosto! Obrigado, Olga S.!

Esta peça faz-me pensar em ruptura, em revolta, em renovação, em redefinição. E depois, traz-me, naquela parte intermédia absolutamente magnífica, a paz, o diálogo, a compreensão, docemente boleados…

Esta peça faz-me pensar naquilo que me define. Faz-me pensar naquilo que me completa na vida, faz-me pensar naquilo que faz sentido para mim. Faz-me olhar na direcção certa, faz com que me erga de entre a mágoa que por vezes me afoga, faz-me rodar o pescoço e fitar a peça do puzzle em falta. E dá-me forças para partir, para a agarrar. Para a envolver e abraçar…

Agarro-a, como se fosse minha, tal como este prelúdio…

:)

Tuesday, December 17, 2013

Menos é mais…

Estava aqui há 10 minutos e não havia maneira de conseguir fazer sair uma frase, uma ideia, uma palavra para começar. O problema não é a falta de elementos para colocar aqui… antes pelo contrário, talvez até haja demasiada informação. Apetecia-me escrever sobre muitas coisas, mas não consigo encontrar a forma correcta de arrancar, não consigo combinar as palavras que lhes fariam justiça. Talvez porque me transcendam, talvez porque ainda esteja a tentar captar-lhes o sentido, o motivo, o propósito ou talvez as circunstâncias… e talvez porque neste meu registo, provavelmente quero que as palavras contem a história com as notas certas, com a intensidade adequada, com o timbre perfeito.

Mas não consigo. E por tanto não conseguir, aqui deixei um parágrafo inteiro em que escrevi, depositei esse mar de palavras, acima exposto, intento em exprimir de forma inconsequente o modo como não escrevi sobre o que pretendia expor.

Rasgado, solto, perdido, desmedido. Assim são as palavras contidas que escaparam dos meus dedos. E escondem um pequeno sorriso, uma gargalhada breve e louca.

Desisto. Hoje a mente ganha. Só hoje.

Thursday, December 5, 2013