Monday, April 23, 2012

A insuportável beleza do ser

Os dias são mais silenciosos, agora.

Depois do berro, já não oiço aquelas vozes a ecoarem na minha cabeça e ainda menos falo. Parece que escuto calmamente esta ausência, acompanhada de um pequeno ruído de fundo, que é, em boa medida, o conjunto dos comuns sons que habitam o nosso mundo.

Saio de casa e procuro preencher esse vazio com música, com algo que tenha a capacidade de me distrair, de me impedir de flutuar até aquele cantinho na minha mente…

… esse cantinho que me tira o sono, que me prende a atenção, que me desconcentra, que me transporta para o mundo dos sonhos em pleno dia, que me rouba a paz. Esse cantinho, onde se escuta a voz do coração, onde as lágrimas são simples versos deste grande poema, e em que, como mar e céu, nele se reflectem as estrelas, com o seu cintilar extasiante, a sua energia radiante e sorrisos multicoloridos, e, simultaneamente, nele se espelham as agruras das profundezas, as tristezas mais depressivas, os olhares mais desesperantes deste universo.

Fujo constantemente desse recanto e a ele retorno a todo o  momento. Mas o silêncio ajuda-me a pairar, perigosamente perto, é verdade, mas sem nunca nele cair e sem que tenha de entregar-me aos desígnios desse monstro que me consome.

E eu quero pairar e flutuar para longe…

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