Wednesday, April 18, 2012

… Astigmatismo…

Quando olho para este espaço penso, por vezes, que tive muita sorte em conseguir, mais ou menos, manter uma certa coerência no tipo de discurso ao longo dos tempos. Claro que o discurso em si não pode necessariamente ser o mesmo e supostamente este evolui – para o bom ou para o mau – com o passar do tempo. E falo em sorte porque até hoje nunca defini de forma determinística exactamente qual  o propósito, mote, ideologia deste blog. É verdade que os primeiros posts foram de natureza um pouco mais mundana, em que eu procurei satirizar alguns aspectos da vida que me afectavam no momento. Por vezes pareceu-me conveniente focar certos assuntos apenas porque, de alguma forma, achava relevante partilhar e comentar. Mas ultimamente, julgo ter descoberto a verdadeira vocação deste blog. E é irónico como o blog foi lançado nesses moldes, desviou o seu caminho e quatro anos depois, convergiu para o ponto de onde se tinha lançado.

Agora entendo. E não precisei de pensar muito sobre o assunto. A evidência prostrou-se diante dos meus olhos e a realidade tornou-se inegável. Não se trata de partilhar, comentar, desabafar sobre aqueles assuntos – mundanos ou não – que podemos discutir com outras pessoas, no facebook, num programa de chat, whatever… Não! aqui o que se faz é extravazar e colocar em palavras aquilo que não se quer verbalizar oralmente ou que se acha que ninguém está minimamente interessado em ouvir. Pois assim, está escrito. E só lê quem quer. Não há receios de ofensas porque ninguém verá ninguém a ir-se embora e a abandonar a leitura como se de uma conversa se tratasse.

Chegado a este ponto, olho para o que acabei de escrever e pergunto-me qual é, afinal, a grande relevância de ter escrito o que acabei de escrever?

Sorrio e penso: “O que interessa? Não quero saber! Não importa o que está escrito nem como está escrito…”

O que é verdadeiramente relevante é a razão porque está escrito… esse propósito liberta-me… e quando isso acontece, cumpre-se o objectivo…