Se há coisas boas na vida, talvez uma delas seja aquela sensação que se tem quando se faz um startover, quando se recomeça, quando se volta ao início de algo. É como se não houvesse juízos nem pressupostos. Tudo é inocente e puro. E novo.
E em certa medida, tudo parece saber a improviso. E isso é bom, muito bom.
Começo o ano novo com uma sensação de leveza, de perspetivas positivas e com optimismo. Recebo o novo ano de cara lavada, com um sorriso e de braços abertos.
Acredito na energia anímica e contagiante que impele o nosso mundo quando algo se inicia. A força, o ímpeto.
O ano que passou foi, mais ainda do que anterior, um ano de grandes mudanças. Em mim. Por dentro.
Paz, guerra, tormento, solidão, esperança, amor, angústia, lágrimas e sorrisos. Exteriores e interiores. Descobri os sorrisos interiores. Quando aprendemos a sorrir por dentro, para nós próprios mas, principalmente, quando sentimos que esse sorriso vem de dentro, o fazemos por nós e não apenas para nós…
Começo o novo ano com um sorriso e com um abraço.
Mas… começo o novo ano com uma dor, com algo que me quer fazer triste, algo exterior a mim, algo que não me pertence, mas que causa desgosto e que, lentamente, procura espalhar em mim, um veneno inquietante.
Sorrio por cima disso, procuro marginalizar essa noção dolorosa, tento converter e talvez até subverter o aspecto negativo a meu favor…
E no meio desta minha digestão, procuro entender verdadeiramente se aquilo que me rasga a serenidade é algo que possa efectivamente lesar-me.
Cautelosamente, apercebo-me que a resposta talvez seja negativa…
E vejo nesse movimento um foco, um objectivo, um facto, uma realidade, uma abstracção que me aquece, que me alumia.
Três desejos, um sorriso… e um abraço…
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