Wednesday, January 1, 2014

O ano do cavalo

Se há coisas boas na vida, talvez uma delas seja aquela sensação que se tem quando se faz um startover, quando se recomeça, quando se volta ao início de algo. É como se não houvesse juízos nem pressupostos. Tudo é inocente e puro. E novo.

E em certa medida, tudo parece saber a improviso. E isso é bom, muito bom.

Começo o ano novo com uma sensação de leveza, de perspetivas positivas e com optimismo. Recebo o novo ano de cara lavada, com um sorriso e de braços abertos.

Acredito na energia anímica e contagiante que impele o nosso mundo quando algo se inicia. A força, o ímpeto.

O ano que passou foi, mais ainda do que anterior, um ano de grandes mudanças. Em mim. Por dentro.

Paz, guerra, tormento, solidão, esperança, amor, angústia, lágrimas e sorrisos. Exteriores e interiores. Descobri os sorrisos interiores. Quando aprendemos a sorrir por dentro, para nós próprios mas, principalmente, quando sentimos que esse sorriso vem de dentro, o fazemos por nós e não apenas para nós…

Começo o novo ano com um sorriso e com um abraço.

Mas… começo o novo ano com uma dor, com algo que me quer fazer triste, algo exterior a mim, algo que não me pertence, mas que causa desgosto e que, lentamente, procura espalhar em mim, um veneno inquietante.

Sorrio por cima disso, procuro marginalizar essa noção dolorosa, tento converter e talvez até subverter o aspecto negativo a meu favor…

E no meio desta minha digestão, procuro entender verdadeiramente se aquilo que me rasga a serenidade é algo que possa efectivamente lesar-me.

Cautelosamente, apercebo-me que a resposta talvez seja negativa…

E vejo nesse movimento um foco, um objectivo, um facto, uma realidade, uma abstracção que me aquece, que me alumia.

Três desejos, um sorriso… e um abraço…

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