Friday, December 23, 2011

Ziggurat Vertigo

Os sonhos são algo que me fascina. Não aqueles que, conscientemente, idealizamos, mas mais aqueles que estão muito ligeiramente para lá do alcance da nossa razão. Aqueles que ganham forma nas profundezas do nosso subconsciente, tocam ao de leve na nossa razão física e depois pairam novamente para o cosmos do imaginário.

O sonho. E a sua ausência. Esse equilíbrio (ou falta dele) entre o racional e o irracional, essa guerra titânica que se desenrola constantemente nas nossas mentes, entre o consciente e o subconsciente.

O que pode fazer com certos sonhos mais não sejam do que banalidades e que a nossa massa cinzenta simplesmente não consiga tocar nesse fluxo de imagens, sentimentos que populam a nossa mente enquanto vagueamos pela alma adormecida? Que despertamos, alheios ou, quando muito, com uma vaga suspeita de que “algo se passou”. E tentamos recordar… fechamos os olhos, tentamos ir lá ao fundo buscar uma imagem, um “flash”, que nos permita desbloquear essa memória… mas não está lá nada. Vazio. Porque esteve, mas entretanto partiu, para um recanto de onde não a conseguimos recuperar…

E como podem outros ser tão vívidos, quase reais, que penetram na carne, nos ossos, no sangue, os olhos vêem, os ouvidos ouvem, o nariz cheira, a pele sente. Acordamos e está lá, mais que uma mémoria, quase uma vivência. Vibrante, pertubadora, incisiva mas confusa, por vezes nublada… mas sabemos que está lá. Tentamos reviver mentalmente a experiência porque sabemos há muito tempo que, em breve, se irá desvanecer. E lá está. Viva, na nossa mente. Já faz parte de nós, já é um pouco do que somos, já é um reflexo do que nos atormenta, do que nos inspira.

Quão doce e intrigante é a suave melodia dos sonhos que nos transportam para o mundo surreal do nosso subconsciente! Tão rica e estridente é a plétora de tons e cores que se crivam no nosso ser, enquanto pairamos à deriva nesse oceano de energias…

Tão forte é o amor de se amar o que não pode ser amado, tão negro e azedo o abraço fatal de dar a mão aos nossos mais profundos medos e terrores e oscular o desfiladeiro da nossa anti-vida…

Como posso viver um sonho, sem sonhar uma vida?

Quero sonhar, pois sonhar é viver!

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