Parece que tenho uma parte do meu cérebro que precisa de estar em constante supervisão e sob controlo, e que é responsável por abrir a boca e começar a disparar em todas as direcções. O dispositivo que regula todo este processo assemelha-se a dois dedos que fixam um pequeno fio – o fio do controlo. Frequentemente, este fio parece simplesmente escorregar entre os meus dedos e, até que eu recupere a pega, lá vai a boca a despejar tudo aquilo que anda aqui por dentro, sem censuras…
Também noto que quando me finalmente me dedico a escrever um pouco, parece que a pega fica mais firme e torna-se mais fácil impedir que o fio se escape.
Por outro lado, apercebo-me que talvez seja mesmo aquilo que eu sou. E é bem sabido o quão difícil é contrariar a nossa própria natureza.
Talvez devesse escrever mais. E assim falaria menos. E talvez o que acabasse por dizer fosse mais inofensivo. Porque então, já estaria escrito. E não haveria necessidade de o dizer.
Ou talvez devesse utilizar umas luvas.
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