Saturday, November 9, 2013

A cor da monocromia

Foi em 1996 que esta peça me tocou pela primeira vez.

E eis que, quase 20 anos depois ela retorna, desta vez para ser tocada por mim. Talvez nunca estivesse ausente mas apenas latente, esperando pelo momento certo para que eu desse seguimento a esta minha busca de um dia a conseguir atingir na sua plenitude.

Para lá caminho, embalado pelo seu poder, enebriado pela sua melodia, temperado pelas suas notas inspiradoras…

Dou-te o que posso para que sejas tu, para que eu te complete, para que a minha voz acompanhe o teu solo, e que no teu voo pelo espaço me sussures ao ouvido essa canção que me bloqueia todos os sentidos.

Mas por alguma razão, escapas-me dos dedos, eles falham em tocar-te, em ser a imagem viva da tua essência. Entre vozes de silêncio e claves magestosas eu vou contruíndo a casa que te celebra, vou ornamentando as páginas que te escrevem.

E sei que um dia, por entre formas e gestos singelos e magnânimes, só por si, ecoarão as notas que me permitirão dar corpo à tua luz, e num simples murmúrio, tu e eu seremos apenas um, ambos seremos o que sempre fomos, e apenas o que somos…

Ontém, hoje e para sempre: “Despedida”

 

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