Gostaria de entender tudo aquilo que move o mundo,
de compreender as pequenas oscilações das suas engrenagens.
Gostaria de flutuar entre as nuvens, mergulhar no mar,
deitar-me na terra de onde nasce a árvore
e percorrer os seus jardins, polvilhados de vida...
E com apenas uma golfada de ar, inspirar toda essa energia,
captar o cheiro que alumia os sonhos,
entregar-me ao frenesim e agitação de reunir num único ponto,
tudo aquilo que procuro compreender...
Mais não sou do que um simples grão de areia,
uma partícula no ar,
uma bolha qualquer na orla marítima,
um rasgo cromático no prado multicolor...
De cada vez que me aproximo para colher uma flor,
criva-se um espinho na pele...
É esse o passo, é esse momento,
é essa voz irónica que abre o horizonte...
Queres olhar e, num relance, ler o mundo
quando uma vida não chega para o teu proprio livro...
“o mundo é tudo aquilo que julgas sentir,
quando no coração não encontras palavras que o definam,
quando nos teus gestos não vês o perfume que te impulsiona,
nem osculas, no sabor doce e inspirado da loucura,
o toque magistral da incompreensão e do irracional.”
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