Hoje é dia de casamento. 21 de Julho, um dia fantástico para uma pessoa se casar… Faz cerca de dois anos desde que estive num casamento pela última vez.
Hoje em dia, para o meu círculo de pessoas conhecidas, esse tipo de eventos é cada vez mais raro… Sem dúvida, houve ali um pico, de cerca de 3-4 anos, em que parecia que toda a gente se estava a casar… agora, e com toda a lógica, a conversa do dia são os filhos, e, já nada estranho, segundos filhos…
Não posso deixar de olhar para tudo isto e sentir uma leve asfixia, uma pequeno par de mãos a apertar-me o pescoço, e querer, subitamente, aliviar o nó da gravata (que diga-se, dada a falta de prática, dá uma carga de trabalhos a fazer… mas que é daquelas coisas que tem que ficar perfeita…)…
O que move esta minha quasi-repulsa não são ideais meramente filosóficos, políticos, religiosos ou de qualquer outra sofia… O que está na génese dessa minha retracção, dessa minha reacção, é algo bem mais prosaico, mas simultaneamente, de dimensão humana. Tem apenas a ver com a minha experiência e a forma como ela me afecta, enquanto indivíduo deste mundo, desta sociedade, deste universo, desta realidade…
Mas que não fique equivocado o sentido que se poderá, eventualmente, tirar das palavras que deixei no parágrafo anterior… a união de duas pessoas e os frutos que possam decorrer daí não é algo que eu não contemple com admiração e da qual seja incapaz de extrair um sentido altamente galvanizante para a vida de alguém… não… faço-o quando vejo tantos amigos juntos com as suas novas folhas, sinto como minha a sua alegria em poder trazer ao mundo algo de seu e que, na sua individualidade, perpetuará a essência e as raízes que lhe deram origem…
Este conceito não me assusta, este assunto não me repele, esta ideia não me afasta… não! Na realidade, é algo que eu sinto que faz parte da minha vida. Contudo, o ritmo e a ocasião ditam a forma como as coisas se procedem e sem dúvida que neste momento o que governa a minha vida são conceitos distintos de todos estes que temos vindo a falar.
Há um abismo demasiado grande entre mim e esses amigos… não uma separação física, mas antes uma separação rítmica, o tempo corre de forma diferente para eles… Eu fui a par e passo com eles até uma altura, em que eles prosseguiram e eu voltei atrás… contudo, não perdi as experiências, não perdi os anos de convivência, somos equivalentes do ponto de vista do tempo, contudo a experiência e a altura em que esses momentos foram experienciados é notavelmente diferente. E isso faz com eles e eu sejamos pessoas totalmente diferentes.
A diferença é que antes eu temia esta diferença. Agora ela faz parte de mim e não posso evitar sentir-me vivo cada vez que penso nela.
Há dias em que me faz sorrir, há dias em que me faz chorar… talvez nesses dias me tire o sono e me deixe a fitar o tecto monótono do meu quarto. Mas nos outros, mergulho nos sonhos multicoloridos e encontro a mesma paixão ao observar a Lua que me adormece, e o Sol que me acorda…
1 comment:
não o teria dito melhor.
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