Tenho uma nova casa… tenho uma nova vida… vou deixar para trás as coisas da minha vida anterior, vou sair daquela casa que me viu nascer, que me viu crescer, que viu todas as minhas faces… vou largar aquele espaço repleto de cheiros, cores e emoções daquela vida que lá deixo. E quando sair, vou trancar aquela porta e não vou olhar para trás…
Saio em busca de outra coisa, de outra vida… mas não saio muito convencido… porque não quero uma vida nova. Eu quero a minha vida anterior de volta… mas diferente… não quero começar de novo – porque é isso que parece que estou a fazer… mas na realidade, é um engano. É a Lua Nova. Porque quando chegar à nova casa, vou descobrir que todas as coisas que deixei na casa velha vão lá estar… não me consigo livrar delas… não posso livrar-me delas… tenho que as carregar comigo… porque fazem parte de mim… O Mare que procuro está ao alcance… mas não há folhas em branco nesta história.
O melhor será pegar na primeira e escrever, nos espaços livres. Mas o que está escrito, está escrito. Posso escolher outra cor, mas as novas palavras têm que encontrar o seu lugar entre as antigas.
Não te iludas, rapazinho, casa nova será… mas a nova vida, essa, articula-se por entre os despojos da anterior… caso contrário… como poderia uma pessoa negar-se a si própria? Como poderia eu prescindir da minha essência?
Não, das palavras perdidas nascerão outras e juntas, marcarão o meu sangue… e quando olhar para o horizonte lá vislumbrarei a Lua, sempre presente, para guiar o meu caminho…
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