Friday, November 23, 2012

Sente. Chora. Vive. Ama. Sorri.

…a palavra vem porque domina a sensação de que o percurso que poderia, à partida, ser difícil, acabou de se tornar ainda mais complicado…

…mas não me arrependo. Não posso, já não faz sentido. Pudesse eu voltar atrás no tempo e sabendo o que sabia, faria exactamente o mesmo. Porque é o que sinto que devo fazer.

A palavra não é um arrependimento, um lamento por aquilo que fiz. Sou apenas eu a aperceber-me das consequências dos meus actos. A sentir na pele o trajecto veloz desses espinhos que me tocam.

Quero avançar, percorrer todo esse caminho, guiado pelo coração, mas sem ter que dizer palavras… com sonhos que me fazem sorrir, com músicas que inspiram as teclas em que toco, com letras que não afastam as palavras que te escrevo…

E sentir, findo esse caminho, aquele calor acolhedor que nos invade quando as coisas decorrem como é suposto, seja o que for que isso quer dizer…

 

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

 

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.

 

Quem te sagrou criou-te português.

Do mar e nós em ti nos deu sinal.

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 

“O Infante”, Fernando Pessoa.

 

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