O tempo entrelaça-se e arrasta-se, contagiando a sua letargia a tudo e todos… corre como um rio e estreita-se até que apenas permaneça um ténue fio de água que receio quebrar…
Dou por mim a silenciar músicas que quero tocar. Olho lá para fora e vejo as palavras que não ouso escrever… afino a garganta, mas as frases teimam em sair, e ficam abafadas nas minhas mãos…
Guardo entre gestos delicados estas ideias que não me cabem na cabeça, sopro-lhes ao ouvido coisas secretas, coisas mundanas, coisas doces, coisas salgadas… fragmentos de um sorriso, de um abraço, lágrimas de pura energia.
Quero fazê-las flutuar até ti, mas há algo que as impede de percorrer o seu trajecto… algo que bebe desse rio de tempo, e o consome…
Observo esse fio que nos liga e embora me sufoque, sorrio…
Sim… fecho os olhos… e sorrio.
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