Thursday, May 3, 2012

In vinum veritas…

Hoje cheguei a casa e apeteceu-me saborear um pouco de vinho…

Pensar naquele travo ligeiramente acre, e simultaneamente doce, suave e apaziguador, despertou em mim uma sede sensorial. Nada comemoro ou celebro, simplesmente achei que aquela tertúlia alcoólica e perfumada, liderada por todos aqueles taninos, iria complementar na perfeição o meu estado de espírito. E elevar-me os sentidos. E amplificar as emoções. E expandir, em cada toque da minha língua no seio daquele líquido repleto de adagas cortantes, a sensação inspiradora de estar vivo…

… mergulhar no coração e encontrar sensações perdidas mas nunca ausentes… e, recordar-me  e recitar com fulgorosa paixão, os versos do Poeta:

 

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esp’rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte

Os beijos merecidos da Verdade.

 

E sentir, em cada letra, em cada verso, em cada poema, em cada canção, o calor, o fervor, o fervilhar desse sangue que quer amar mas que não sonha atingir, que abraça o mundo mas depois foge e esconde-se dele, com medo, com receio…

…de amar, de ser amado.

   

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